sexta-feira, julho 20, 2007

Pára-quedismo

No seguimento de várias compilações que fui lendo nas últimas semanas em blogs – esses sim – de jeito, também eu pesquisei resultados de procuras que trouxeram visitantes enganados ao meu estaminé.

Sendo uma expert em estatítica e análise de resultados, encontrei pelo menos 3 padrões e agrupei de forma lógica estas pérolas de search no Google. Os dados referem-se a buscas feitas entre 18 e 19 de Julho, apenas* e somente**.

Comecemos pelos padrões: temos música, biografias e… esoterismo (muito boa, esta!!!).


Música***:

- grace kelly-mika letra: o meu blog aparece logo em primeiro lugar… creio que tenho mercado aqui, deverei transformar este meu espaço em musicoblog ou algo semelhante e tentar fazer dinheiro a partir daí? – ó pra mim com os olhinhos a brilhar!!!

- letra da música Grace Kelly do cantor Mika: agora, pergunto eu: seria necessária tanta precisão? Haverá quem bata tão exaustiva descrição?

- Dasse! E não é que há mesmo? tiene una forma seductora de moverte frente a mi, nena me haces vibrar tu cuerpo rima con tu cara y me seduce tu mirada: colega, se já sabes a letra da Mistica dos Orishas de trás para a frente, porque raio andas à procura da mesma? Ele tem gente… neste, a Biografia até aparece em primeiro lugar! Qual lyrics.com, qual quê!

- e ficar a ouvir a radio no ar a chuva a cair eu vou-te abraçar: aqui, aparece em segundo lugar; moral da história: se o objectivo é criar ratoeiras para incautos nos virem visitar, ao invés de escrever textos longos e explícitos sobre sexo, experimentem colocar algumas letras de músicas. Ao que parece, o Amanhã de manhã continua muito em voga, hehe!

- ainda na mesma música e esta deixou-me de olhos em bico: "vamos acordar" + pito [pausa] + pito?! Pior ainda: a Biografia aparece em primeiro lugar das pesquisas do Google. E isto porquê? Porque era um post em que eu “cantava” esse grande êxito das Doce e o Melões, com a sua sensibilidade e elegância de elefante em loja de porcelanas Vista Alegre (os Ming já eram...) lembra-se de comentar algo sobre gajas de pito aos saltos (estava no blog errado, bem sei...)

- e para provar que essas divas da década de 80 ainda hoje são procuradas e não será pouco, temos novamente vou ficar a ouvir a chuva a cair (revivalismo, oh yeah...)


Biografia:

- bruno nogueira+biografia (OK, parece-me pacífico)
- biografia do nuno gomes (esta veio através de um comentário da Xô Dona Marta, num post em que eu sugiro torcer por jogadores da bola em vez de torcer por clubes)
- no seguimento desse mesmo post – que não tinha pontinha por onde se lhe pegasse – e ainda dentro dos comentários, o Mr. Dumal atraiu quem procurava Biografia eva Longoria assim como beyonce biografia altura (se alguém me souber explicar esta da altura aqui no meio, agradeço e sinto que já poderei morrer menos burra)
- biografia sete dedos: aceito teorias minimamente fundamentadas sobre estas três palavras juntas e sua subsequente lógica…


Passando directamente à parte esotérica, temos leitura da borra do café, cartas tarot - ler a chávena e ainda jogo de búzios. Assim sendo, Teresa, Aenima, Diabba, Marta, Mulheka: diria que podemos avançar com a sociedade ;-)


Prémio “sou veloz cumó caraças ou tenho o dom da ubiquidade”:
- onde está o wally (esta veio a partir do Brasil)
- aonde esta o wally ?\ (esta veio apenas algumas horas após a busca anterior – só que foi feita a partir da Bélgica; ora, isto só prova que o Wally, para além de ir a todo o lado, é igualmente rápido nas suas deslocações; ou terá o dom da ubiquidade? – a.k.a. Síndrome de Santo António? Ou anda tão à frente que é teletransportado? Aviso ao meu amigo Wally, o verdadeiro: se te atreves a mandar postas sem jeito, juro que te mando 4 meses para o Yemen! E nós sabemos muito bem o que aconteceu ao último desgraçado que lá foi…)


Avulso temos:

- "reiki as raízes japonesas", que é um dos livros que li

- grandes expressões (se estão à espera de retirar frases altamente filosóficas e profundas, não podiam estar mais enganados; aqui é só pérolas, regionalismos e bocas foleiras. Mas gostei…)

- biografia engraçada: mas engraçada o quê? De-sas-tra-da, tá? Olha agora engraçada… até é mais desgraçada, ou desengraçada... irra!

- para terminar em beleza: bares privados para despedidas de solteira zona de Sintra. Pá, se alguém me souber explicar esta, merece um prémio. É que esta… óbalhamedeus!


* E se em pouco mais de 24 horas aparecem estas preciosidades, imagino que mais terá trazido tanta gente aqui...
** É que, parecendo que não, tenho outras coisas para fazer na vida.
*** Caso estejam desatentos, já tratei de dar tags a alguns posts e a colocar as discografias passadas. Ah pois é!

Pronto! E agora vou deixar o blog em paz até ao fim do mês. (Ó pra mim a criar a ideia de que vou de férias, ou o camandro. Era bom, era…)

quinta-feira, julho 19, 2007

Poliquê?

Nota prévia (antes que comece): o presente texto não pretende, de forma alguma, tecer juízos de valor acerca das escolhas dos outros, cada um tem as suas preferências e saberá o que é melhor para si próprio. Não sou moralista nem conselheira, pois:
- se os conselhos fossem bons... não os dava: vendia-os!

- se nem sempre sei gerir a minha própria vida, porque raio deverei teorizar sobre a dos outros

- tenho vida própria (e este argumento bastaria por si só, mas eu gosto de escrever baboseiras)

Siga...


Enquanto dou uma de Big Brother is watching you (1984, George Orwell – ou pensavam que era invenção da cabeça loira do Piet Hein*, hum?) vendo através de que palavras-chave é que certos e determinados pára-quedistas vêm parar aqui ao engano** (sim, porque ninguém no seu perfeito juízo assenta arraiais neste blog por vontade própria), aproveito este espaço (o meu speaker’s corner privado – ai que eu hoje estou tão culta!) para deixar umas palavritas sobre... poliamor!


Ontem ao final da tarde, já pela fresquinha, voltava feliz e contente para casa na minha banheirola estilosa e confortável, quando prestei atenção ao programa que estava a passar na rádio, a saber: Prova Oral, da Antena 3.

E pronto, lá descobri que, para além de ser poliglota e multifacetada, sou igualmente poliamorosa!

Bom, antes que comecem a chover mails com frases de empatia e/ou convites alternativos, passo a explicar: eu amo-me incondicionalmente. Sem restrições, mesmo! E sei isto porque, mesmo quando faço asneirada da grossa, lá me recrimino um pouco, auto-censuro-me e tal... mas continuo a adorar-me como se fosse a mais bela criação actualmente a passear pela Terra***.

E depois, como tenho muitos interesses, vou-me “desmultiplicando” nas minhas várias facetas, de acordo com o que estou a fazer na altura. E gosto sempre desse meu eu, ou não fosse hedonista...

Agora, se me colocam a questão: e não tens ciúmes? Quer dizer, ao amares tantas personalidades, algumas delas influentes e tudo, não terás medo que também elas se virem amorosamente umas para as outras?

Pois, aqui é que a porca torce o rabo! É que, há uma parte de mim que é ciumenta... e outra que não é! Mas até agora tenho conseguido manter “ambas as duas” neste parco equilíbrio. Desde que não se cruzem...

Com tanto amor distribuido já por mim, desconfio ser capaz de amar e me dedicar apenas a uma outra pessoa para além de mim própria. O difícil será encontrar alguém que reúna o consenso e a aprovação dos meus vários eus. É que há-de haver um ou outro que irá torcer o nariz a algum aspecto que seja de encaixe mais difícil...

É que para além de ser “multipersonalizada”, sou também esqui... esqui... esquisita, é isso!

E a fidelidade, onde é que fica? Bom, eu serei sempre fiel... a mim própria! Não é à toa que uma das minhas frases favoritas é mesmo a “I love me so much, I wanna kiss myself!”


Começo a dar razão ao meu pai quando ele me diz que já leu outros blogs e que esses eram inteligíveis... cá pra mim, ou falavam de sexo ou de futebol...


Banda sonora... ora cá está uma das minha músicas favoritas de todos os tempos. Laid, dos James. Nunca percebi porque raio sempre fiquei fascinada com ritmos cujas letras são do pior, mas enfim. Às tantas, é mais uma das minhas personalidades que ainda não se definiu... medo!

Hum... irei criar brevemente a lista das músicas que já aqui passaram... [Actriz, em modo organizado]


* Porra, só eu é que não apareço na Wikipedia! Ainda...

** E tem cada pérola! Céus, fico na dúvida: deverei rir que nem uma tonta, ou chorar quem nem uma Madalena?

*** Há uma faceta minha que insiste em dizer-me que sou mesmo a “ultimate masterpiece of creation”, mas creio que foi de férias; é que já há uns tempos que não me acompanha...

terça-feira, julho 17, 2007

Na minha busca da Luz

Luz, nome dado ao último álbum do Pedro Abrunhosa, esse Senhor Gajo que, não sabendo cantar, safa-se lindamente como poeta e compositor.
Ora, luz, lâmpada, iluminação, ideias luminosas... vai daí, analisei esmiuçadamente a letra da música 3 de seu nome... Ilumina-me. Eis o resultado:

Gosto de ti como quem gosta do sábado,
(isso é bom, certo? Já se me dissesses que gostas de mim como quem gosta da segunda-feira de manhã, ficaria com dúvidas... é que ou és masoquista ou não gostas de mim nem à lei da bala)

Gosto de ti como quem abraça o fogo,
(pois sim... fica sabendo que eu, meu caro, nem a mãozinha meto no fogo por ninguém, não vá ficar a cheirar a porco queimado, quanto mais abraçar... e nunca te disseram que se brincas com o fogo, irás fazer chichi na cama, não? Ah pois é...)

Gosto de ti como quem vence o espaço,
(dizem que, em 1969, uns senhores americanos pisaram a Lua; antes disso, foi a Laika e uns senhores russos; quiduxo, o espaço já foi conquistado... ou nunca viste nenhum episódio do Star Treck?)

Como quem abre o regaço,
(hey!, que facilidade é essa? O pessoal não curte assim... dado, ok? É controlar as hormonas, sff)

Como quem salta o vazio,
(espaço, vazio... hum, tu andas na droga?)

Um barco aporta no rio,
(olha filho, se tentas conquistar-me com iates e coisas dessas, fica já sabendo que não é por aí; aqui a je enjoa que nem uma pescada – expressão mais idiota esta – com barcarolas e afins; houve uma vez em Cuba... bom, deixa lá isso)

Um homem morre no esforço,
(ah valente! É por aí, sim! Quer dizer, mas até lá deste tudo, certo?)

Sete colinas no dorso
(realmente, já vi corcundas muito corcundas, mas sete!? SETE!?)

E uma cidade p’ra mim.
(estás enganado no termo, tu queres dizer vila; ou seja, uma daquelas propriedades chiquérrimas, com uma casa térrea, finésima, piscina e jardins lindos de morrer; se assim for, estás a entrar no caminho certo, já viste que barco não, mas vila sim)


Gosto de ti como quem mata o degredo,
(assassino! Eu realmente não gosto de insectos – degredo é um insecto, certo? – mas como não morde, deixa-o estar)

Gosto de ti como quem finta o futuro,
(sobre isso, é melhor falares com o José Rodrigues dos Santos, que o tipo tem uma teoria determinista sobre livre-arbítrio e coisas dessas; mas olha, fuma uma daquelas coisas que fazem rir antes disso, para ajudar a descontrair e abrir a mente para novas perspectivas)

Gosto de ti como quem diz não ter medo,
(é de macho peludo bater com o punho no peito cheio enquanto diz “quantos são? Venham eles!”. Pena que eu não goste...)

Como quem mente em segredo,
(Também detesto a mentira, tu andas a dar uma no cravo e outra na ferradura... assim não sei, não)

Como quem baila na estrada,
(olha do que me foste recordar: das festas da mala aberta que fazíamos no parque de estacionamento da faculdade! Estás a ganhar mais meio ponto)

Vestido feito de nada,
(assim sendo, recomendo que vás ao Meco)

As mãos fartas do corpo,
(não será o corpo farto das mãos? O celibato tem destas coisas...)

Um beijo louco no porto
(Pudera! Se a abstinência for muito longa, até um aperto de mão poderia dar azo a outras coisas que me abstenho de escrever aqui, pois este blog, não sendo de família, é-o quando me interessa)

E uma cidade p’ra ti.
(Vila, pá! Bolas, que és de compreensão lenta...)


Enquanto não há amanhã,
(Amigo, esta é de borla: o amanhã existe! Ainda há cerca de duas semanas tive essa confirmação, que já devia ter idade para me lembrar de beber muita água antes de me deitar, considerando que iria ficar desidratada – a.k.a. ressacada - , e o amanhã foi muito sentido; demasiado sentido, até!)

Ilumina-me, Ilumina-me.
(andas por becos escuros e depois queres que te oriente! Não querias mais nada, já agora.)
Enquanto não há amanhã, Ilumina-me, Ilumina-me.


[Pausa técnica]

Na prática, este monstro do marketing com um gajo careca de óculos de Sol algures no meio – e com a mania que tem estilo a vestir-se –, foi capaz de mexer comigo logo da primeira vez que ouvi esta música. Vénia a ele, pois este coração empedrenido (o meu) dificilmente se comove com uma musiquita.

Felizmente, vou tendo a capacidade de dar a volta ao texto (literalmente, neste caso) e gozar com o que me toca. Porque a letra é linda! E quem me dera ser alguma vez capaz de me exprimir assim:

Gosto de ti como uma estrela no dia,
Gosto de ti quando uma nuvem começa,
Gosto de ti quando o teu corpo pedia,
Quando nas mãos me ardia,
Como silêncio na guerra,
Beijos de luz e de terra,
E num passado imperfeito,
Um fogo farto no peito
E um mundo longe de nós.

Enquanto não há amanhã, Ilumina-me, Ilumina-me. Enquanto não há amanhã, Ilumina-me, Ilumina-me.

Enfim, é bom conseguir gozar com aquilo que me acompanhou no fim do poço...

sexta-feira, julho 13, 2007

Expressões que eu gosto – II

...guiar com o quico no côto, destrocar caixa duas abaixo, desfazer a rotunda de ladeiro e seguir de gazonete...

É a verdadeira expressão à guna! Mai nada! Lindo!

Tenho mais umas na algibeira, mas estas merecem destaque. É que ando a treinar para a concentração de Faro do próximo fim-de-semana...

Músicas: como só posso mudá-las em casa, só mais daqui a pouco é que irá acontecer. E estou com dúvidas entre o Baila Morena do Zucchero (baila morena.... sotto questa luna piena...), o Feeling Alive do Gomo (Hey, I'm feeling alive, I was loaded as dice, Sweet and sticky inside, I'm feeling love…) ou ainda o Caviar do Zeca Pagodinho (você sabe o que é caviar? Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar...). E esta é a minha shortlist mental. Muito ortodoxa, portanto...

OK, está escolhida. Bom fim-de-semana!

quinta-feira, julho 12, 2007

E quando nada faz sentido

Hoje desejava escrever sobre mais expressões que gosto; graças à Ms D. e ao meu bom amigo-vizinho-motoqueiro-tripeiro (na falta de nome melhor, fica Motard Favorito… para facilitar) juntei mais umas boas.

Gostava igualmente de mandar umas piadas de valente humor negro ao meu colega-amigo (só para o chatear, vai ficar com o nome de Wally – tem o passaporte mais carimbado que o Mário Soares quando era Presidente da República) que, a esta hora, estará a voltar de… Islamabad. Sim, aquela cidadezeca no Paquistão onde aconteceram umas coisas a uma mesquita encarnada… assim, uns fogos de artifício e o catano. Porra, passei dois dias inteiros a enviar-lhe mails só para me certificar que o gajo ainda vivia! É no que dá sentir-me culpada por enviar colegas para estes destinos… exóticos?!

Apreciava conseguir concentrar-me para definir uma estratégia com um mínimo de coerência para algo de importante que irei ter hoje ao fim do dia. Assentar ideias, preparar perguntas.

Queria que o tempo não voasse e me fugisse entre os dedos como tem acontecido nos últimos… tempos? É um paradoxo: teoricamente, quanto mais avanço no tempo, mais certezas deveria ter; na prática, anda tudo a ser adiado. A cada dia que passa, parece que perco qualquer coisa mais; se ainda perdesse o apetite, até nem me importava por aí além… mas infelizmente não é isso.

Não é isso, mas é tudo o resto. Parece que o Grande Teatro Universal se lembrou de me ensinar uma bela lição, fazer-me ver que não controlo rigorosamente nada, recordar-me que sou pequenina e, por vezes, frágil.

Nunca pensei tanto na (minha) vida como nestes últimos tempos. Nunca vivi tão intensamente nem experimentei tantas perspectivas novas como desde que voltei para Portugal. Em altura alguma conheci tantas pessoas ou aprendi e me interessei tanto sobre tantos assuntos como agora.

E quanto mais tento não pensar, mais a pergunta me assalta: mas quem raio sou e que quero eu fazer comigo mesma?

E quanto mais o tempo passa, menos certezas tenho;
E quanto mais vejo, menos sei;
E quanto mais conheço, menos percebo;
E quando acho que bati no fundo do poço… ainda havia um puto de um alçapão, só para me lixar ainda mais! Porra, já chega, não?

Estou a reaprender a cortar todas as amarras e a andar na corda bamba olhando para a frente e nunca para baixo, pois a rede… não está lá.
Tudo o que tento agarrar, tudo pelo qual me interesso… simplesmente escapa-se por entre os meus dedos.

Pois eu… ainda que tenha sido ensinada a jogar pelo seguro, a não trocar o certo pelo incerto… foi quando decidi arriscar que dei os maiores e melhores saltos na minha vida.
Olhando para trás, vejo que tudo foi uma mistura de esforço, fé, luta… e alguma dose de descontracção e estupidez natural, claro está. Porque só sendo um bocado parva e crente é que teria ido pelos caminhos por onde fui. Mas resultou! E a verdade é que houve uma altura em que tinha tudo o que queria, os acontecimentos positivos encadeavam-se com naturalidade, a boa vida fluía.

Sempre tive a maior facilidade – mais do que isso, sempre tive vontade – de começar de novo, por outro caminho; para experimentar, para ver como é; fartava-me com facilidade do que tinha e dava um salto noutro sentido. Ainda hoje adoro estrear cadernos, é o início de uma nova fase. Sempre me senti um camaleão, fui tendo vários grupos de amigos, gostos musicais e literários, formas de ocupar o tempo… até o meu guarda-roupa não segue um padrão. Só este blog é que tem sido mantido, ainda que já tenha pensado fechá-lo e começar outro completamente diferente... várias vezes.

Volta e meia sinto que sou várias pessoas numa só, não sabendo ao certo quem sou, apenas que tenho “aqueles” princípios dos quais nunca irei abdicar… o resto é cinzento.
Agora, que queria mais era sopas e descanso, a roda da vida continua a sua marcha e parece não ter percebido que já não é por aí que quero ir!

Por outro lado, se sempre foi assim que funcionou, porque raio é que agora me está a custar tanto desapegar? Provavelmente, é por estar tudo a acontecer ao mesmo tempo.

Se calhar a resposta está em acreditar. Em mim. Ir contra o que, à primeira vista, parece lógico.

E se, até agora, tudo foi acontecendo na altura certa e eu fui conseguindo tirar daí uma lição para a vida, porque não acreditar que há-de continuar assim?
Contudo, a dúvida persiste: onde está a fronteira entre o não ir contra porque o caminho não será por aí, e o simples baixar os braços porque faltam forças para lutar?

Porque parece que tenho todas as possibilidades, porque nada me prende e não estou presa a nada. Esta é a altura em que posso decidir fazer o que realmente quero.
Mas não estou a saber ouvir-me!

(...)
De que serve ter o mapa
Se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado,
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
Se a casa está deserta?
Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?
(Pedro Abrunhosa - Quem me leva os meus fantasmas)