sexta-feira, março 30, 2007

Remexendo no baú das memórias

Faz hoje um ano que tomei a decisão certa. Ou melhor, tomei a decisão.

Após 11 noites de insónias, a dar voltas na cama. E assim continuei por mais seis meses. E isso, no meu calendário, é muuuuiiiiito tempo.

A re-aprender a dormir sozinha.
O ver o futuro como incerto.
A chegar à sexta-feira e pensar: que raio irei fazer o fim-de-semana todo? E nas férias, onde vou, com quem vou?
Afinal de contas, que quero eu da minha vida?
A chegar todos os dias a casa (aquela que ia ser a nossa casa) com a sensação de vazio. A deixar acumular a roupa fora do armário, a louça suja na cozinha, a adiar encontros com os amigos. E passar noites no sofá, a acender um cigarro com a ponta do anterior, a chorar de raiva, de desilusão, de orgulho, mas nunca!, de arrependimento. E começar a perder peso vertiginosamente, tudo tinha um sabor demasiado amargo para que eu conseguisse digerir, era como pedras no estômago. E eu que passei quase três anos a sentir borboletinhas todos os dias!

O medo de saber que me tinha tornado dependente. O descobrir que tudo o que fiz foi por alguém que não merecia. O receio de ficar só para o resto da minha vida.

Tive 1001 oportunidades de voltar atrás. O convite renovou-se. Ele tentou tudo para me provar que, a partir daí, tudo seria um conto de fadas. E manteve-se coerente. E lutou.
Mas foi em vão.
Ainda me deixei arrastar algumas vezes, a ver no que dava. Desta forma, posso dizer que também eu tentei... ver se ainda se conseguia fazer alguma coisa daquele castelo em ruínas.
Ou então, foi o prazer sádico de saber que sou muito mais forte do que ele, e deixá-lo enterrar-se por uns momentos, torná-lo vulnerável e espetar-lhe a faca de seguida.
Sim, eu fui muito sádica. Viste o meu melhor? Agora, apresento-te o meu outro lado. Mas olha, só o faço porque foste tu quem bateu na minha porta, eu não fui ter contigo. Na minha casa, quem dita as regras sou eu!

Não lhe desejo mal. Nem bem. Simplesmente, não me interessa saber. Na altura, só o facto de saber que ele respirava era suficiente para me deixar incomodada.

Descobri que apaguei as memórias, pois o livro que ando a ler retrata Milão, que eu tão bem conheço. Mas já não me lembro de quase nada.

A prova dos nove aproxima-se. Vai ser a primeira vez que lá volto. E só. Andei a adiar, mas quem vou visitar merece. E é já daqui a duas semanas.

E agora, adeus, que tenho uma prima que se vai enforcar este fim-de-semnana! E eu vou assistir de pé. E com a cabeça erguida, a fazer jus ao meu nariz empinado.

Notinha: faz hoje um ano que combinei jantar com ele, pois sentia a minha falta. Eu aceitei, porque iria aproveitar para colocar o ponto final. Como surgiu um convite simpático para o mesmo dia, achei que numa horita conseguiria resolver o assunto. E assim foi. Após o chuto no traseiro, fui curtir para a festa da FHM. No dia seguinte... começou o período negro.

quinta-feira, março 29, 2007

Arghhhh!

No ano passado, fui pedida em casamento duas vezes.

Ontem à noite, recebi três pedidos.

Hoje... tive medo de sair de casa!

quarta-feira, março 28, 2007

Para ti, minha querida

Se soubesses a alegria que sinto cada vez que te vou buscar ao aeroporto... mesmo sabendo que tens o táxi pago pela empresa e que não preciso de me incomodar. Ver-te cansada, mas com a satisfação de ter voltado a casa. Abraçarmo-nos enquanto dizemos uma à outra “gosto de ti, minha querida!”, acendermos um cigarro à ida para o carro, olharmos em volta não vá aparecer um gajo bom e não darmos por ele (sim, aquele que estava à porta ontem tinha o seu quê, mas era a fugir para o baixito), e começarmos a tagarelar.

Todos os dias temos novidades para contar uma à outra; e quando não temos, há sempre algum tema que surge, ainda que os silêncios nunca nos tenham incomodado.

Levei meses a conhecer algumas pessoas, anos a conhecer outras, mas bastou um fim-de-semana para saber como és. E gostei de ti assim mesmo. E hoje, sei exactamente o que vais fazer e quando.

Só por ti é que me enfio num centro comercial (detesto fazer compras!), ando a ralinar pelos pisos à procura da estúpida da entrada por causa das toneladas de cacos que tinhas de comprar (mais uma voltinha, mais uma viagem! As crianças não pagam... mas também não andam!!!).

Só a ti fui capaz de ligar às horas que fossem, acordar-te e deixar-te revoltada com as minhas histórias, levando-te a duvidar se o telefonema tinha acontecido ou se terias sonhado.

Tu, que foste capaz de, numa sexta-feira, após uma semana louca de trabalho, ir ao supermercado, entrar em minha casa, fazer o jantar como se a cozinha fosse tua (a bem da verdade, até é) enquanto eu era incapaz de fazer outra coisa que não acompanhar-te com o olhar vazio, enterrada no sofá. Creio que chegaste a levar-me a primeira garfada à boca...

Tu, que me levas ao desespero, porque sabes que o meu ombro estará SEMPRE à tua disposição de cada vez que a vida te corre mal.

Tu, que em vez de tomares conta de mim, serves mais vinho no meu copo enquanto levantas o teu!


És das poucas pessoas que me compreendem... e me aceitam tal qual sou!

ADORO-TE, AMIGA! Obrigada por gostares de mim.


E já, agora, parabéns, é o teu dia, agora vamos lá continuar a preparar a festa.

Pequenas e grandes pérolas - I

Pequena pérola

Dª Actriz Principal,

Partiu-se o estendal.

Obrigado,

Santa

Este era o recado que a minha empregada, que deve ser burra todos os dias, me deixou em cima da mesa.

Quer dizer, não é que a santa (eu gosto de lhes chamar santas, mas esta já está a ganhar outro nome na minha cabeça) partiu o estupor do estendal (ainda estou para ver como conseguiu, porque o raio da barra é grossa) e ainda me agradece por cima! E como se não bastasse, deve ser mal resolvida, pois devia ter escrito obrigada em vez de obrigado. Enfim, preciosismos...
E o estendal é do senhorio.
E eu com uma máquina interinha de roupa por estender quando cheguei!

Já identifiquei dois ou três padrões na sua limpeza:
- as mesas da sala, como estão... ficam. A do centro, sempre descentrada; por acaso, até me poupa o trabalho de a arrastar para perto do sofá quando quero esticar as pernas. A outra, se tiver o cesto da fruta (artesanal, de qualidade, feito por... mim) fora do sítio, continua fora do sítio. Será que ela limpa a mesa mesmo?
- o balde do lixo da casa de banho é despejado vez sim vez não. Considerando que ela ficou de limpar a casinha todas as semanas, acho que irei proximamente usar o truque do cotonete atrás da sanita... para tirar as coisas a limpo!
- e ainda tem a distinta lata de comentar que a roupa para passar já vem muito torcida. Acho que vou ensinar a minha máquina de lavar roupa a dizer "obrigado", a ver se ela gosta...

segunda-feira, março 26, 2007

Já que ando numa onda de músicas

Voglio rinascere e essere una gatta

e diventare un po' più intelligente

e quando sbatto la faccia sul muro

scoprire che non era abbastanza duro!

Este é o final da letra de uma música que eu gostava muito de ouvir quando estava em Itália. Na altura, não prestava atenção ao que era dito. Hoje, foi uma das que o meu computador decidiu pôr-me a ouvir, no seu modo shuffle, enquanto trabalhava.

É a segunda música em dois dias que me fez parar e prestar atenção. Após isso, comecei a pensar.

Partindo da constatação que as pessoas, quanto mais inteligentes, mais instáveis são (e eu conheço muita gente), cheguei à brilhante conclusão: a altura em que eu fui mais estável, coincidiu com o período em que a minha mente andava mais adormecida.

A pergunta que me coloco é simples, mas não estou a chegar lá: mas onde é que entra a felicidade no meio desta história? Afinal de contas, não é disso que andamos todos à procura?