quarta-feira, maio 30, 2007

Intervalo para comprar pipocas

Segunda ao fim da tarde fui ao cinema. Cinema português, O mistério da estrada de Sintra. Ao contrário do que o Psyhawk diz (ainda que tenha razão) - Regra nº5- Se o filme for português tem que haver um nú frontal - neste caso, temos pena mas não há. E temos pena porquê? Porque, sendo cinema europeu (quer dizer, nem é Hollywood nem Bollywood), temos aquilo a que eu chamo de nú verdadeiro (gajos cheios de pêlos e tipas com celulite e banhita a la gorda de Picasso) e não um... sei lá como chamar... photoshop em movimento?

Por falar em photoshop, eu nao sou (muito) má lingua, mas já viram o cartaz que anda por aí da Cláudia Vieira? Bolas, já por duas ou três vezes que passo por um dos milhentos que andam a causar acidentes por Lisboa (e, creio, pelo resto do país) e comento com algum amigo que a tipa é mesmo jeitosa e ouço o mesmo comentário: "Ó Actriz, aquilo é muito photoshop...". Eu bem digo que o mundo anda a girar ao contrário. À uma (cá está outra expressão que eu gosto particularmente) porque eu é que começo a comentar de forma positiva um cartaz de uma giraça seminua; às duas (esta acompanha sempre o à uma, tem que fazer algum sentido, digo) porque quem deita abaixo são eles. Vai uma tipa esclarecida compreender este pessoal O que vale é que nem me dou ao trabalho de o fazer, sostrinha como sou...

Voltando ao filme: fui com aquela prima da geração dos meus pais com quem volta e meia me cultivo (ver isto). Cheguei à conclusão, uma vez mais (sim, por vezes, é preciso passar por elas vezes sem conta e nem assim aprender, mas não será o caso, foi apenas uma constatação), que eu e a minha prima temos gostos diferentes no que toca à arte. É que eu gostei mesmo do filme. Ela também não.

Até compreendo. É que aquilo é mais do que uma adaptação disto, é levado mais além, sai do esperado e do que possa parecer lógico, ou suportavelmente racional.
Daí ter gostado; é que, a páginas tantas, já pouca coisa fazia sentido, haviam histórias a mais, versões mais ou menos aderentes à realidade, trama e intriga levada ao extremo. Confunde-se ficção com vida real. O que efectivamente foi e nunca se saberá; o que nunca aconteceu pois não passou de uma história inventada; e a adaptação da versão, imaginada ou não. Demasiado parecido com a realidade, quanto a mim.

E eu tenho tendência para gostar daquilo que me faz sentir identificada, sobretudo se é complexo. Porque os opostos se atraem*... e eu sou sofisticadamente simples.

[Pausa]

Ir ao cinema fez-me lembrar... a última vez que fui ao cinema (coerente, hein?)
Curiosamente, aqui em Lisboa, com a mana mais fixe do mundo (a minha, claro!)... em Janeiro!
O filme? Babel. Excelente filme, diga-se.

[Nova pausa]

Entre um filme e outro, uma série de curtas-metragens, filmes mudos e conversas de surdos, comédias e tragédias (tragicomédias), melodramas de chorar baba e ranho, terrores e horrores, suspenses de arruinar a minha paciência, foram sucedendo à frente dos meus ricos olhos castanhos. Escuros. A condizer com as sardas que começo a ganhar no nariz.

[Ainda outra pausa]

Porque tenho uma vida para ser vivida e outras preocupações que me consomem tempo e paciência...
...outros objectivos, projectos e interesses
...amigos e família que ando a descurar
...leituras para colocar em dia
...exercício físico e actividades ao ar livre

Creio que estará na altura de fazer uma pausa mesmo. Daquelas a sério.

Voltarei no início do Verão. Prometo! E eu, para além de não mentir e só inventar fora da vida real (ou seja, aqui), cumpro as minhas promessas... o que não sei bem ainda é se é no início DESTE Verão ou mesmo O QUE É PARA MIM o Verão, mas isso são filmes meus, hehe... ai a beleza das palavras, podem querer dizer tudo e nada ao mesmo tempo, dependendo dos filtros que estamos a usar, do que queremos ver, ou até do que nos parece mais conveniente. Irei, definitivamente, curar-me deste vício também... ainda que escreva por impulso e compulsão. Mas também isso tem cura.

Quem me conhece, sabe onde me encontrar (questão relevante: e quererão encontrar-me?) e sabe os meus contactos. Quem não me conhece, não perde nada, logo, o assunto está por si mesmo resolvido! E podem sempre deixar comentário ou enviar mail. Simpática como sou, até seria gaja para responder aos mails.

Beijos, abraços e até à segunda parte! Nos entretantos, vou matar saudades de mim mesma. E visitar e comentar de vez em quando, ok?

* Os opostos atraem-se... e tocam-se no infinito, pois muitas vezes são espelho um do outro.

Creio que bati o record de links neste post. Se calhar é por pensar que está tudo interligado... ou não! (não resisti, foi mais forte do que eu)

terça-feira, maio 29, 2007

Promessas por cumprir ou a minha opinião sobre a lei do tabaco para Portugal

O que vale é que não são eleitorais. Qual a diferença? É que essas raramente são cumpridas, mesmo! Quanto às outras, ainda existe a esperança.
E porque gosto muito do JMA (temos MESMO de ir para a frente com aquele texto a 4 mãos, amigão!), dedico este post a ele. Contudo, o conteúdo não será muito diferente do comentário que deixei no seu modesto casebre há... quantas semanas, mesmo?

Como é meu apanágio, venho, uma vez mais, opinar sobre assuntos em relação aos quais não possuo todo o conhecimento. Começo a acreditar que é também uma forma de inteligência, já que no fim a coisa até nem sai mal de todo e transmite a ideia de saber bastante sobre o assunto. Provavelmente, são os filtros que terão sido mudados há pouco e ainda funcionam, tendo a capacidade de captar a parte relevante.

Aliás, correcção seja feita: eu não vou opinar sobre a lei do tabaco, mas sobre a opinião do JMA sobre “o direito dos proprietários dos estabelecimentos a decidir o que querem naqueles espaços”. E isso sim, é muito mais à frente (opinar sobre as opiniões, entenda-se).

Eu sou a favor da liberdade de escolha, ou não fosse da geração pós 25 de Abril, que faz parte daquele grupo de gajos que dá certos valores como dados, tipo as liberdades… e essas coisas pelas quais a geração anterior se fartou de lutar…
Mas, a verdade é que nem sempre o que se considera o melhor caminho terá o efeito prático desejado. Vejamos:

Então temos que, à semelhança do que se passa em Itália desde Janeiro de 2005 e em Espanha um ano mais tarde, nós, por aqui, andamos a debater a possível lei do tabaco para o nosso paraíso à beira-mar plantado, vulgo, República das Bananas (please, não confundir com um pequeno arquipélago que teve eleições recentemente e cujo resultado terá, com certeza, surpreendido tudo e todos... ou não!).

Do pouquíssimo que li, verifiquei que é para cortar mesmo! É que não se poderá fumar em quase lado nenhum! Resumindo (retirado daqui): [parte chata, passar à frente]
- “locais onde estejam instalados órgãos de soberania, serviços e organismos da administração pública e pessoas colectivas públicas”
- “locais de trabalho”
- “estabelecimentos onde sejam prestados cuidados de saúde, nomeadamente hospitais, clínicas, centros e casas de saúde, consultórios médicos, postos de socorros, laboratórios, farmácias e locais onde se dispensem medicamentos não sujeitos a receita médica”
- “lares e outras instituições que acolham pessoas idosas ou com deficiência ou incapacidade”
- espaços “destinados a menores de 18 anos, nomeadamente infantários, creches e outros estabelecimentos de assistência infantil, lares de infância e juventude, centros de ocupação de tempos livres, colónias e campos de férias e demais estabelecimentos similares”

Mais ainda:
- “nas salas e recintos de espectáculos e noutros locais destinados à difusão das artes e do espectáculo, incluindo as antecâmaras, acessos e áreas contíguas”

E como se não bastasse...o fumo deverá ser proibido também:
- “nos recintos de diversão e recintos destinados a espectáculos de natureza não artística”
- “nos conjuntos e grandes superfícies comerciais e nos estabelecimentos comerciais de venda ao público”
- “nos estabelecimentos hoteleiros e outros empreendimentos turísticos, onde sejam prestados serviços de alojamento”

Haverão excepções feitas (“pacientes fumadores em hospitais psiquiátricos, serviços, centros de tratamento e reabilitação e unidades de internamento de toxicodependentes e de alcoólicos”, assim como “nos estabelecimentos prisionais, unidades de alojamento, em celas ou camaratas, para reclusos fumadores”), mas, como se vê, pouquinhas pouquinhas. E sim, vou abster-me de tecer comentários sobre esta parte, ainda que os dedos vibrem com a vontade de escrever umas tontices com um mínimo de piada…

E, como se não bastasse, ainda se prevêm multas astronómicas, em comparação com as previstas para o abuso de drogas! Lindo!
[fim da parte chata]

E agora, a fundamentação da minha opinião…
Como tenho a mania de falar por cima, cá vai disto:

Temo que, no caso dos espaços privados, se for dado o poder de escolha do proprietário no que toca a ter o seu espaço como livre de fumo (à semelhança do que se passa em Espanha), o resultado será que, muito provavelmente, na maior parte dos cafés, restaurantes, bares, discotecas e afins a coisa não mude nem uma unha negra! Existe uma infinidade de motivos que podem ilustrar esta opinião. Contudo, para mim, a realidade prova mais do que debitar teorias mais ou menos patetas (ainda que vontade não falte e a imaginação tenda a acompanhar). E a realidade é esta:

- Passei o ano de 2005 em Itália sem poder fumar em espaços públicos. Por muito estranho que nos possa parecer, passei noites em discotecas em que tinha de ir à porta para tirar umas passas. Fumei muito menos, cheguei a casa com a roupa a cheirar… olha, não tresandava a tabaco! E note-se que eu era gaja para fumar bastante! (Obviamente, estou a resumir um pouco, já que existe a possibilidade de haverem espaços para fumadores, mas os critérios são tão exigentes e as licenças tão caras, que a perspectiva desencoraja quase por completo os donos dos estabelecimentos em avançarem com essa possibilidade).

- Passei 5 dias em Madrid no fim de Abril e em TODOS os tascos onde parei (mas todinhos mesmo!, e não os escolhi, fui lá parar por acaso, porque outro alguém escolheu) permitiam o fumo! Porquê? Porque os donos dos espaços podiam optar. Invariavelmente, escolheram que o seu espaço fosse “poluído”.

A moral da história é: se dermos aos proprietários a liberdade de escolha, muito dificilmente os mesmos irão tornar o seu café/restaurante/bar/discoteca um “espaço verde”.
Porque a verdade é que estamos todos habituados a conviver com o fumo. E, quer queiramos quer não, parece estranho, de repente, não se poder fumar no café da esquina, onde vamos tomar o cimbalino da hora de almoço. Porque os fumadores deixariam de lá ir, mas os não-fumadores não passariam a ir lá mais…


Em conclusão: temos uma falha de mercado que, pela escolha economicamente racional (tendo em vista o lucro), nos mantém na situação de partida. Nada muda!
Logo, se o objectivo é proteger os não-fumadores e reduzir o consumo de tabaco da população, não se deve deixar ao critério dos proprietários.

Atenção: não fumo há quase um mês, mas não é por isso que a minha opinião é esta. Na verdade, ainda enquanto fumava um maço ou mais por dia, sempre fui a favor de espaços para não-fumadores ou locais de completa proibição em que o pessoal vem matar o vício cá fora. (e quem me conhece sabe que digo a verdade)
A pergunta que se impõe é: então porque é que continuavas a fumar lá? Resposta: porque podia! Esta parte até pode ser engraçada, mas é também muito verdadeira.

E está cumprida a minha promessa de debitar a minha opinião!

segunda-feira, maio 28, 2007

Não estou mais leve...

...mas os pneus estão no sítio!

Boa notícia: o peso mantém-se!

E a carteira também não está mais leve. Ou seja, ao contrário do ano passado por esta altura, em que tive de trocar os pneus da frente (OK, agora estou a falar do meu carro) e deixei uma pipa de massa, desta vez, apenas tive de trocar uma valvulazita de um pneu de trás e isso é barato barato!

E porque é que estou tão contente? Porque estava a arriscar-me a ter de trocar os dois... sim, os dois!, que os pneus, a serem trocados é como as senhoras a irem às casas de banho: aos pares. Tudo isto por causa de uma fuga na válvula, o que fazia perder ar. E quanto mais se anda com o carro assim, mais o pneu se estraga.

Conclusão: eu mantenho o meu pequeno pneuzito na barriguinha e o carro mantem os seus quatro pneus ainda de boa saúde! E a carteira não se queixou.
Digamos que desta vez o custo foi quase 100 vezes (sim, cem vezes) inferior ao tombo do ano passado, quando um imbecil se lembrou de me furar um pneu do carro e eu só dei conta quando saí dele, após andar na 2ª circular a uma certa e determinada velocidade, achando estranho que o volante guinasse completamente para um dos lados... tenho de admitir que essa foi mesmo de gaja... mas aprendi!

sexta-feira, maio 25, 2007

Ralhete ao São Pedro

Bolas, pá (sim, não penses que é por seres santo que tens tratamento VIP), andas aí a dar amostras de tempo bom, e tal, temperaturas porreiras, noites agradáveis, fins de tarde excelentes para praia ou esplanada... e depois, uma semana in-te-ri-nha com promessa de mais uns dias de tempo de caca? Cumé?

Chuva para o fds? Mas anda tudo parvo, ou quê? Olha que eu tenho marcada a minha primeira aula de condução de mota para este Domingo, oblá! Se estiver a chover... nicles batatóides. Ai mau, mau...

E como é que vou meter sandálias amanhã para a festa do casamento quando... lá fora chove, hum? Vou a correr comprar sapatinho fechado, não? Deves pensar que me saiu o Euromilhões, ó patareco!

Haja pachorra para aturar santos... do pau oco, é o que é!

Notas:
1. JMA, não me esqueci da promessa de post sobre a lei do tabaco em Portugal.
2. Assim que conseguir colocar umas ideias em ordem e arranjar um tempito, irei deixar a terceira e última (talvez... ou não!) história de fazer chorar as pedrinhas da calçada. Creio que tenho veia de argumentista de novela mexicana e quero desenvolvê-la! Assim, um destes dias vou contra um post que aqui deixei há muuuuito tempo atrás e edito um livro a la Margarida Rebelo Pinto, essa grande novelista de trazer por casa.
3. Acrescento excepcional, já que uma vez publicado, apenas volto ao post para corrigir pequenos typing mistakes. E este merece destaque, até:

Mas que raio se passa com metade do mundo? Nunca pensei que:

Ponto primeiro: andasse com tantas visitas; afinal de contas, nunca falei de sexo aqui! Ah, e se continuam a cá vir porque têm essa esperança... peguem num banquinho ou numa cadeirita, cruzem os bracinhos e esperem... sentados. Este foi o ponto para aligeirar, o importante é o próximo.

Ponto segundo: nunca imaginei ter comentários que mais parecem desabafos com sentimentos de identificação em relação às duas histórias que deixei nos posts anteriores. Por favor, digam-me que ainda existe esperança! Começo a pensar se hei-de deixar a 3ª história ou se será melhor guardá-la para mim...

(fim do acrescento)


Bom fim-de-semana, façam de conta que o Sol brilha e está calor! Mas sem ajuda de drogas, ok? São caras, ilegais e fazem mal. Moralista dum raio que saí...
... e vão 25 dias sem uma passinha sequer! E mais 2 kilitos...

quinta-feira, maio 24, 2007

Quando se descobre a verdade tarde demais... e ainda assim, faz mossa

Enquanto assumo que já me perdi completamente no raio da formação que tanto sono me dá e me anda a ajudar na engorda (e não é pouco, não!)... pois... no fundo, é conhecimento já demasiado detalhado para as minhas necessidades profissionais... perdida novamente...
...perco-me cada vez mais nos pensamentos sobre o que poderia estar a fazer... e não estou!

Ainda bem que está mau tempo, pois ir à praia apanhar um solinho seria a ideia de eleição. Sem dúvida que seria.


Entretanto, vou colocando no papel outra história com “e se” e não com “era uma vez”, ainda que nenhuma das duas expressões aqui apareça.


X. é uma jovem cheia de energia, vistosa e com um sentido de humor mordaz, revelador da sua inteligência e rapidez de resposta; raras vezes fica com a cara à banda, sem saber o que dizer. A palavra final é sempre dela.
Por vezes até parece ter uma certa arrogância e fala com todas as certezas, ditando a sequência lógica dos acontecimentos, como se tivesse décadas de experiência.

A ela ninguém engana. Excelente observadora, topa atitudes e personalidades à distância, antecipando os movimentos dos outros e os finais desastrosos.

Ora, isto funciona muito bem... com os outros! Infelizmente, um dia, a batata podre da lotaria da má sorte haveria de lhe calhar. Ainda por cima com uma história rápida e ligeira, que já estava resolvida e ultrapassada. Mas tinha ficado uma boa amizade!

Saber a posteriori o que na realidade deve ter acontecido custa muito. E ainda mais quando se teve um ou outro aviso sério em tempo útil, ou porque veio de alguém de confiança, ou porque uma ou outra situação nos leva a torcer o nariz.

E sempre tudo relacionado com a falta de tempo. Creio que, em certos círculos, falta de tempo deve ser nome de código para indisponibilidade-devido-à-existência-de-uma-vida-paralela*. Resta saber qual das vidas seria a paralela. É que nós queremos sempre que não seja aquela... enfim... aquela que nos mete ao barulho, não é? Até porque tudo gira à volta do nosso umbigo.

* Vida paralela que já devia ter terminado mas sofre do síndrome Duracel: e dura, dura, dura...


E assim se perdem amigos.

Deixa lá, X., chamo a isto “processo de auto-exclusão”. A tua sorte é que és como eu, bola prá frente e siga pra bingo. Mas é chato perder aquilo que se pensava ser uma amizade. Bom, para se perder, é porque não era mesmo, pois não? Mas dói! E como!