quarta-feira, março 21, 2007

Dia da poesia

Sim, o amor é vão
É certo e sabido
Mas então (Porque não)
Porque sopra ao ouvido
O sopro do coração
Se o amor é vão
Mera dor mero gozo
Sorvedouro caprichoso
No sopro do coração
No sopro do coração

Mas nisto o vento sopra doido
E o que foi do
Corpo no turbilhão

Sopra doido
E o que foi do
Corpo alado
Nas asas do turbilhão
Nisto já nem de ar precisas
Só meras brisas
Raras

Corto em dois limão
Chego o ouvido
Ao frescor
Ao barulho
À acidez do mergulho
No sangue do coração
Pulsar em vão
É bem dele É bem isso
E apesar disso eriça a pele
O sopro do coração
O sopro do coração

Mas nisto o vento sopra doido
E o que foi do
Corpo no turbilhão

Sopra doido
E o que foi do
Corpo alado
Nas asas do turbilhão
Nisto já nem de ar precisas

Só meras brisas
Raras

Clã – O sopro do coração
Letra de Sérgio Godinho


Ainda assim, falta qualquer coisa... ao poema. Contudo, confesso a minha total falta de jeito para a poesia, eu é mais bolos. Na prática, prefiro fazer o que gosto que, não curiosamente, é no que sou melhor. Chamemos-lhe especialização*. Ainda assim, como hoje é o Dia da Poesia... pronto, cá fica. E, convenhamos, até fica bem.

Feliz Primavera!

*Até tenho um acordo com a Santa Teresinha (não sei quem foi, mas sei que houve uma; por acaso até gosto mais de Ana Rita, mas isso não seria nome de santa de jeito): nem eu faço milagres, nem ela diz/escreve parvoíces. Estou a precisar de cafeína...

segunda-feira, março 19, 2007

Tão perto e, ainda assim, tão distante

Nos meus tempos áureos, já idos, quando era uma jovem universitária inconsciente, conheci um senhor. Para mim era um senhor, pois ele andava na casa dos early thirties. Era um homem bem-parecido, seguríssimo de si, com uma verborreia e um descapotável para impressionar meninas jovens.
Como eu era na altura.
Ainda assim, era uma pessoa muito culta e interessante, gostava de manter conversas estimulantes, demonstrando o seu vasto conhecimento que, diga-se em abono da verdade, não era pouco.

Fazia parte do grupo de férias, quando ia religiosamente para as termas. Durante 3 anos ou mais, fomo-nos encontrando e divertindo na única discoteca da terra.

Uma vez, no seu penúltimo dia de férias (última noite de copos, portanto), disse-me que cada vez que me via, sentia o Suplício de Tântalo. Perguntei-lhe o que era, mas ele não me quis contar. Chata como sou, ao fim de tanta insistência, lá me explicou.

Compreendi ontem o que ele queria dizer. Talvez porque estava preparada para isso. Como costumo dizer, mais vale tarde… do que ainda mais tarde!

Não sou masoquista, aliás, hedonist is my middle name, mas a fronteira consegue ser muito ténue.

quarta-feira, março 14, 2007

Homens

Quando vamos na onda, no dia seguinte eles já não estão nem aí.

Quando nem um beijo levam, caem-nos aos pés.
Oferecem-nos prendas.
Levam-nos a jantar e pagam. Nós reclamamos e eles acham que estamos a ser educadas.
Levam-nos a sair e pagam. Nós reclamamos e eles pensam que estamos a fazer fita.
Telefonam.
Enviam mails.
Enviam mails com fotos deles a olhar com ternura para a fria lente (para termos sempre presente os seus sorrisos, não vá uma gaja esquecer-se).
Querem combinar encontros para ontem.
Para hoje.
E, se ontem nem hoje dá, então que seja amanhã.
Adorariam apresentar-nos às suas avós.

Bom, já vi que terei de ser menos assertiva e mais agressiva.

Sim, gosto de ser cortejada, que me insuflem o ego, que me digam que o meu sorriso é bonito, que sou simpática, inteligente, interessante e sensual. Mas calma!

Porque é que me fizeste isso, se eu gosto tanto de ti?

És tu que me confortas com o calor que ajudas a emanar todas as manhãs, mal me levanto. Ouço o teu rumor suave, como quem diz “estou aqui para ti”. E assim vou despertando e me preparando para mais um dia. Sinto a água que temperas a levar para longe os sonhos de mais uma noite que acabou, pois o dia há-de começar bem com a tua ajuda.

És tu que me acompanhas até em tarefas que desempenho sem nelas reparar, por vezes com o pensamento longe, longe.

Até agora tivemos uma relação bonita, estável. Tu estavas sempre lá para mim e eu ia ter contigo nas alturas mais frias, tocava-te delicadamente, para estares no ponto que eu tanto gosto.



Puta da caldeira, porque é que ficaste sem pressão hoje de manhã? Deves pensar que gosto de tomar banho de água gelada, não? Irra! O que vale é que levaste com as mãos rudes do técnico que te pôs a piar fininho, despiu-te e fez-te a revisão, ali mesmo, a frio, como mereces!

terça-feira, março 13, 2007

Se o meu carro fosse como o meu metabolismo...

ATENÇÃO: todo este texto é apenas meio fundamentado, através de conversas com colegas ex-obesos, familiares com profissões na área da saúde e algumas pesquisas não muito exaustivas (tenho mais que fazer!) na Internet. Não é um guia nem o pretende ser. Se forem ao engano, não digam que não avisei…

No seguimento de uma troca de ideias com a Aenima e após ver posts da Florença e da CK, cá vai:

Se o meu carro fosse como o meu metabolismo, a minha carteira andava agradecida… e eu também!

Falemos de dietas, de perder peso, de diminuir o tamanho do pacote e coisas afins; afinal de contas, sou gaja e (embora não me importasse por aí além) não tenho uma ténia de 3 metros no intestino para alimentar – logo, não sou um pau de virar tripas, ainda que me tivessem acusado disso há uns meses atrás.

Para o bem ou para o mal, as dietas (prefiro chamar regimes alimentares – soa melhor e parece que dói menos) são para a vida.
Qual o sentido disto? Perdemos peso se o que comemos é inferior ao que consumimos. Matemática pura, certo?

Pois bem, eis que mudamos para melhor a nossa alimentação: mais equilibrada, muita fruta e verdura, pouca gordura e bolos, muita água, menos quantidades, mais vezes ao dia.

Após um tempo, a besta do metabolismo (esse animal que não é parvo nenhum) adapta-se, e começamos a ter um consumo basal mais baixo, fruto da nossa herança genética, ou o catano do raio que o parta.

Chegados a esse ponto, temos duas hipóteses:
- ou comemos como se não houvesse amanhã durante 2 meses, para pregar uma rasteira ao metabolismo, voltando a entrar nos eixos mais tarde (correndo o sério risco de ver o esforço a ir cano abaixo, mas aumentando de novo o consumo basal)
- ou continuamos SEMPRE a comer como se tivéssemos fastio.

A notícia mais ou menos (nem boa nem má, antes pelo contrário) é que fazer exercício ajuda:
- queimando calorias pelo exercício em si mesmo
- acelerando o metabolismo por via do aumento da massa muscular (que, graças à Entidade, gasta como o meu carro – mental note: já era altura de comprar um mais económico).

Portanto, caminhem, dancem, tenham sexo de qualidade (senão não vale a pena), o diabo a 4 e mais um par de botas. E não, não é fácil manter! Eu já recuperei umas coisitas.